[Relato 31]

A água do chuveiro cai sobre nós. Esse não é o meu banheiro. Estou na casa de minha avó, tomando banho junto do meu primo. Tenho só doze anos, sou um menino franzino. Meu primo já está com catorze anos, é um rapaz forte, atrevido, um machão que gosta de bater nos outros.

Perdi o meu pai aos quatro anos de idade. Ficamos só eu, minha mãe e minha irmã. Nossa mãe é feminina, religiosa, educada. Mas também é uma figura frágil, sofre desequilíbrios psicológicos, precisa constantemente se internar em um sanatório. Ela nos proíbe de falar palavrão e procura nos inspirar com frases do tipo: “nunca levante sua voz, melhore seus argumentos”. Sou obediente, nunca fico de castigo. Sinto falta do meu pai.

Estamos muito perto eu e meu primo, vejo a sua ereção, a prova de que é um machão. Meu primo pede para que eu pegue o seu pinto. Eu sei que é pecado, fico encabulado. Meu primo se irrita, me manda pegar o pinto outra vez. Eu tenho medo de apanhar dele, quero ser amigo do machão, obedeço, seguro o pinto.

Eu me orgulho de ser educado, bonzinho na sala de aula. Mas, como sou franzino e enfrento dificuldades de aprendizagem, sofro o bullying dos colegas na escola. Não reajo àquelas provocações, aceito como algo normal ser uma criança marcada todos os dias por agressões verbais.

Tô segurando o pinto do meu primo. Ele me manda masturbá-lo. Eu satisfaço o desejo dele. Fico masturbando o pinto do machão. O ato mexe comigo também, me excita. “Me chupa”, fala o meu primo. “Não”, respondo. Tô com medo.

Eu sinto atração pelas mulheres de minha idade, gosto de namorar. Conheço uma jovem que me encanta. Resolvemos nos casar.

“Eu dobro meu pinto e você põe na boca”, é a proposta do meu primo. Eu não quero apanhar dele. E colocar na boca não é chupar. Eu me ajoelho, abro a boca, recebo o pinto.

Eu e minha esposa somos felizes juntos. Nossa vida sexual é a de um casal apaixonado.

Meu primo me engana, solta o pinto dentro da minha boca. Ele agarra o meu cabelo com raiva. “Vou te bater se você não chupar”, meu primo me machuca. Eu tô sozinho, assustado, dominado pelo meu primo no banheiro. Eu chupo o pinto, obedeço ao machão.

Estou casado há vinte anos, o sexo entre nós caiu na rotina. Fico excitado quando assisto a vídeos pornográficos de dominação, submissão, sadismo e masoquismo.

Meu primo me força a ficar de quatro no chão, meu rosto próximo aos azulejos do banheiro. O machão está em cima de mim, me violenta no banheiro. Eu sinto dor. Eu sinto prazer. Eu me sinto sujo.

Eu ainda sinto prazer na cama com a minha esposa. Mas transamos poucas vezes. Os sonhos de dominação, submissão e humilhação me perseguem. Possuo a fantasia de contratar um garoto de programa e reviver a cena do banheiro.

Meu primo sempre me humilha quando me encontra, me chama de bicha. Se eu não masturbar o pinto do machão, ele ameaça contar pra todo mundo que eu dei pra ele no chuveiro. Eu faço o que ele manda, me sinto bicha, sujo e pecador.

Assim como me submeti a meu primo, cedo às vontades de todos para agradá-los, tenho dificuldade de me impor, cobrar dos outros, me deixo ser explorado. É como se todos os dias eu fosse arrastado de volta aquele banheiro para ser humilhado e violentado outra vez pelo meu primo.

 Relato de um leitor anônimo, reescrito por Denis Winston Brum.

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Um pensamento sobre “[Relato 31]

  1. Pais não devem deixar crianças ou pré adolescentes tomarem banho juntos. A criança não deve ser estimulada a mostrar o corpo nu para outras crianças, ainda que sejam pequenas e inocentes. Brincadeiras sensuais podem ser consensuais no início e depois não consensuais e acabam se tornando um estupro. Os pais deviam ter coragem de conversar com seus filhos sobre o quanto e de que forma eles podem insistir no que querem. Qual o limite do desejo? Não podemos impor nada ao outro, mesmo que ele tenha dito que iria deixar e mudou de ideia, mesmo que ele tenha deixado com uma outra pessoa (se fez isso com ele, vai fazer o dobro disso comigo), mesmo que você tenha um segredo dele que o obrigue a deixar (“ou você faz o que quero, ou conto que já te vi pelada”.), mesmo que você a considere má e que por isso queira castigá-la (“roubou meu lanche então tenho o direito de obrigá-la a se despir para mim). Essa consciência começa ao se proibirem brincadeiras violentas de todos os tipos. Se os dois não estão se divertindo não está correto. O início do estupro se dá quando uma criança se vê no direito de submeter o outro a algo que ele não quer, assim como os pais as vezes fazem com eles para educá-los. A prevenção está no respeito e na educação. Os pais precisam ser muito rígidos com essas questões, senão a criança cresce achando que o estupro é só mais uma brincadeira de mau gosto, uma espécie de builyng exagerado. Se o outro deixou no início da brincadeira isso não me autoriza a forçar até o final, ou a fazer outras vezes. Da mesma forma que cada um tem o seu brinquedo, cada um tem o seu corpo.

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